Andiroba (Carapas guianensis)

CAS# 352458-32-3

ÉPOCA DE COLHEITA

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E APLICAÇÕES

O óleo de Andiroba (Carapas guianensis) é uma fonte rica de ácidos gordurosos essenciais inclusive oléico, palmítico, mirístico e ácidos de linoléico além de conter componentes não graxos como triterpenos, taninos e alcalóides isolados, como a andirobina e carapina. A amargura do óleo de andiroba é atribuída a um grupo de terpenos chamados de meliacinas, que são muito semelhante às químicas amargas de antimalaria. Recentemente, uma destas meliacinas, chamada gedunina, foi documentada com propriedades antiparasiticas e antimalariais com efeito semelhante a quinina. Análises químicas de óleo de andiroba identificaram as propriedades antiinflamatórias e cicatrizantes que são atribuídas à presença de limonoides, nomeado de andirobina. Principalmente, depois do patenteamento de um creme hidratante e anticelulite à base de óleo de andiroba pela francesa Yves Rocher houve uma grande procura do óleo de andiroba no mercado de cosméticos.

USO POPULAR

O óleo de andiroba (Carapas guianensis) é um dos óleos medicinais mais vendidos na Amazônia. Em mistura com mel e copaíba é um remédio antiinflamatório muito popular no combate a infecções de garganta e em processos de gripe em geral. Também fortalece e embeleza os cabelos e em forma de sabonete é um remédio milagroso no combate às acnes e espinhas. Devido a sua boa penetração na pele é freqüentemente utilizado na massagem para aliviar baques, luxações, artrite e reumatismo, atuando também como calmante na pele e clareador de manchas superficiais.

ECOLOGIA

Árvore neotropical que ocorre no sul da América Central, como também na Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa, Brasil, Peru, Paraguai e nas ilhas do Caribe. No Brasil, é encontrado a partir do nível do mar até 350 m de altitude, em toda a bacia Amazônica, tanto nas florestas de terra firme como nas florestas temporariamente alagadas, ao longo dos rios e riachos e próximo aos manguezais. As sementes são flutuantes e podem ser dispersas através da correnteza dos cursos d’água. Porém, em floresta de terra firme, a maioria dos frutos e sementes é encontrada embaixo da árvore-matriz. No período de dispersão, as sementes são muito consumidas por roedores, tatus, porcos do mato, pacas, veados,cotias, etc..

A árvore conhecida por andiroba, de nhandi (óleo) e rob (amargo), pertence à mesma família do mogno e cedro e por sua madeira ser resistente a ataques de insetos é muito procurada pelas serrarias. A andirobeira pode atingir 30 metros de altura e se adapta bem a ambientes diferentes, sendo encontrada tanto em áreas alagáveis como na terra firme.

Uma árvore adulta pode produzir até 120 kg de sementes (média 50 kg/pé). As sementes contêm 43% de gordura e para obter um litro de óleo de forma artesanal serão necessários 12 kg de sementes in natura, na utilização de prensa mecânica 4 kg de semente seca e na aplicação de solventes químicos 3 kg. O rendimento em óleo de andiroba extraído de modo artesanal por árvore pode alcançar 10 litros e industrial até 30 litros.

Devido ao seu desenvolvimento rápido no campo e ao alto valor de sua madeira a andiroba é indicada para plantios consorciados e sistemas agroflorestais. O plantio em monocultura é desafiado pelo ataque do broto terminal por Hypsipyla grandella, que representa a maior praga para as Meliáceas na região Amazônica, inibindo seu crescimento. Isso tem conseqüências no que se refere ao aproveitamento das árvores para madeira. Quando a andiroba sobrevive ao ataque, que não é tão intenso quanto no mogno, a produtividade dos frutos permanece a mesma.

REFERENCIAS

FERRARI, M. et al (2007): Determinação do fator de proteção solar (FPS) in vitro e in vivo de emulsões com óleo de andiroba (Carapa guianensis). Rev. bras. farmacogn. [online]. 2007, vol.17, n.4, pp. 626-630 .

Hammer, M. L., et al. “Tapping an Amazonian plethora: four medicinal plants of Marajó Island, Pará (Brazil).” J. Ethnopharmacol. 1993 Sep; 40(1): 53-75. .

de Mendonca, F. A., et al. “Activities of some Brazilian plants against larvae of the mosquito Aedes aegypti.” Fitoterapia. 2005 Dec; 76(7-8): 629-36. .

Okazaki, T., Suetsugu, M.; and Yoshida, T. (1987) Hair tonics containing oleanolic derivatives. Chemical Abstracts 107, P161369V .

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