Muru-Muru (Astrocaryum muru-muru)

ÉPOCA DE COLHEITA

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E APLICAÇÕES

A manteiga de murumuru é uma gordura in natura, rica em ácidos láurico, mirístico e oléico. O fruto contém uma gordura branca, inodora e sem gosto especial, com a vantagem de não rançar facilmente, pois é rica em ácidos graxos saturados de cadeia curta, como os ácidos láurico e mirístico. A qualidade desta gordura não é muito diferente da gordura da amêndoa do tucumã, do dendê e do coco, porém tem a vantagem de apresentar maior consistência por causa de seu ponto de fusão (32,5ºC), que é superior à do dendê (25ºC) e do coco (22,7ºC). A qualidade desse óleo possibilita a mistura com outras gorduras vegetais que derretem à temperatura mais baixa. Ela pode também entrar no preparo de um substituto parcial da manteiga de cacau, na fabricação do chocolate, proporcionando ao chocolate uma consistência mais firme em locais com temperatura mais elevada.

A gordura do murumuru tem a grande vantagem de possuir baixa acidez (4 a 5%), especialmente quando preparada com amêndoas frescas, não superior, o que diminui os custos de refinamento.

Esta manteiga já foi muito valorizada na Europa e Estados Unidos, para onde suas amêndoas já foram exportadas nos anos 40 e 50, para a fabricação de cremes vegetais e sabões. Hoje sabemos que sabonetes que utilizam esta manteiga na sua formulação, associada à manteiga de ucuuba, deixam na pele uma proteção como se fosse um silicone, só que sem entupir os poros da pele. Essa combinação das duas manteigas propicia um tratamento excelente para peles ressecadas e cansadas.

Em cremes para cabelos a manteiga de murumuru pode ser um grande aliado para manter os cachos, além de nutrir os cabelos e fortificar as raízes. A manteiga do murumuru é utilizada em pequenas proporções em shampoos (0,5% até 1%) e em formulações de condicionadores, cremes e loções hidratantes, sabonetes, batons e desodorantes (0,5% até 8%).

ECOLOGIA

A palmeira murumuru (Astrocaryum murumuru) é abundante na Região Amazônica brasileira, estendendo-se até a fronteira com a Bolívia e Peru. Ela cresce de preferência em áreas periodicamente alagadas, especialmente nas ilhas e terrenos baixos à beira dos rios, em todo o estuário do rio Amazonas e seus afluentes, em formações florestais densas ou semi-abertas. É também encontrada com frequência nas terras de várzea da ilha de Marajó. O tronco, as folhas e o cacho de frutas são recobertos de espinhos de cor preta; são duros, resistentes e no tronco podem alcançar mais de 20cm de comprimento, o que torna penosa a colheita deste fruto.

Quando o fruto está maduro, o cacho cai inteiro ao chão. O fruto é coberto por uma polpa amarela, que é bastante apreciada como alimento pelos animais roedores, que deixam o caroço limpo. O caroço contém uma casca lenhosa e somente em estado seco é possível de separar a casca da amêndoa. Em geral, 100kg de caroços secos (12 a 15% de umidade) rendem entre 27 a 29kg de amêndoas, que devem ser submetidas a um processo de secagem para alcançar 5 a 6% de umidade, para evitar a deterioração durante o armazenamento. Da amêndoa podem ser obtidos de 40 a 42% de óleo. Um pé de murumuru produz cerca de 11kg, de caroço seco e através de extração hidráulica o rendimento de óleo pode chegar até 35% do peso seco da amêndoa, equivalendo a cerca de 3,8ltr por pé de murumuru. Antes da extração hidráulica, devido à dureza das sementes, haveria a necessidade de moagem preliminar, realizada através do uso de moinhos de discos, fortes e resistentes.

Um quilograma de frutos despolpados contém aproximadamente 50 caroços. A germinação das sementes é moderada e o crescimento no campo é lento.

REFERENCIAS

LORENZI, H. Palmeiras no Brasil: exóticas e nativas, Nova Odessa-SP: Editora Plantarum, 1996, p.303. .

PESCE, C. OLEAGINOSAS DA AMAZÔNIA. BELÉM: OFICINAS GRÁFICAS DA REVISTA VETERINÁRIA, 1941. .

PINTO, G.P. Características físico-químicas e outras informações sobre as principais oleaginosas do Brasil. Recife: Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Nordeste, Boletim Técnico 18, 1963 .

Apoiando Comunidades

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