Pequi (Cariocar brasiliensis )

ÉPOCA DE COLHEITA

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E APLICAÇÕES

Além do óleo de pequi ser rico em ácidos graxos, apresenta também em sua composição vitamina A, vitamina C e várias vitaminas do complexo B, assim como fitosteróis: o sitosterol, o estigmasterol e o lanosterol. Contém escaleno em concentrações de 64mg/100g e selênio em 0,7mg/100g.

Óleo do pequí da amêndoa tem um ponto de fusão completo de 37ºC idêntico da temperatura do ser humano, o que o torna ideal para cremes faciais. Porém, a amêndoa do pequi é menos usada devido à dificuldade de remover a castanha do endocarpo. O óleo obtido da semente é branco-amarelado, meio sólido, de gosto fino e perfume muito agradável.

O pequi é utilizado na produção de creme e loções para a pele, sabonetes, óleos de banho, shampoo e condicionador para cabelos com tintura, shampoo e condicionador para cabelos quebradiços, e emulsões. Devido suas propriedades químicas ele pode ser indicado em produtos de maquiagem, creme pós-depilatório.

USO POPULAR

O fruto é consumido depois de cozido em água e sal e o óleo pode ser usado em frituras. A casca do fruto é rica em tanino, utilizado na preparação de tinta para escrever, para tingir rede de dormir e fios.

Os caboclos aplicam o óleo como anti-inflamatório e contra afecções do fígado. É uma espécie que contém um alto conteúdo de vitamina A, o que ajuda a prevenir e curar desordens dos olhos (visão embaçada). A casca é usada para combater a frieira dos pés.

O óleo é retirado de forma artesanal levando a massa da polpa ao fogo baixo (sem água). Em seguida retire a massa aos poucos enquanto o óleo derrete. Três dúzias de pequiá pode dar 2½ litros de óleo”.

Tanto a casca do fruto como o próprio óleo obtido da polpa do fruto e das sementes são empregados para a fabricação de sabão.

ECOLOGIA

O pequizeiro é uma árvore de copa frondosa que pode chegar a 12 metros de altura. De todos os frutos nativos do Cerrado, o pequi é o mais consumido e comercializado. O pequi é de grande importância para as populações agroextrativistas e para as economias locais. Alguns “catadores” e comerciantes de pequi chegam a obter até 80% de sua renda anual na cadeia produtiva do fruto.

Os frutos amadurecem a partir de fevereiro até maio. Uma árvore de pequi normalmente não produz frutos todos os anos. A produção média por árvores é estimada em 350 frutos/ano.

Do fruto do pequi pode-se retirar óleo tanto da polpa como da amêndoa. O fruto pesa em médio 280g, da qual 23% é composto de polpa e 6% da amêndoa com um teor de 67,0% e 70,4% de óleo, respectivamente. No processo de extração utilizando hexano o rendimento do óleo foi de 45,80% para a polpa e 42,0% para a amêndoa.

Com uma produção média de 350kg de frutos pode se esperar 38,8kg de óleo de polpa e 8,8kg de óleo de amêndoa.

A madeira tem alta resistência ao ataque de organismos xilófagos e é altamente empregada na construção naval. Embora o pequi não esteja sob risco de ser extinto, a exploração descontrolada pode levar ao desaparecimento dessa árvore em algumas regiões.

REFERENCIAS

BENTES, M. H. et. al. (1980): Propriedades físico-químicas e composição de ácidos-graxos do fruto do pequiá-Caryocar villosum (AUBL) PERS. Caryocaraceae. Belém Departamento de Química/UFP. .

CRODA. Crodamazon Pequi. Nome INCI: Caryocar Brasiliense Fruit Oil. www.croda.com.br .

LORENZI, H. Árvores Brasileiras. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, vol. 2, 2ª edição, 2002, p. 368. .

PESCE, C. OLEAGINOSAS DA AMAZÔNIA. BELÉM: OFICINAS GRÁFICAS DA REVISTA VETERINÁRIA, 1941. .

SHANLEY, P.; Cymerys, M. & Galvão, J. Frutíferas da mata na vida amazônica. Belém, 1998. .

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