Sinônimos: Moriche, Aguaje

CAS# 394239-67-9

ÉPOCA DE SAFRA

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E APLICAÇÕES

O óleo de buriti (Mauritia vinifera e M. flexuosa) é muito rico em ácido oléico (72,5%), um tipo de ácido graxo mono insaturado muito presente no azeite de oliva, que é associado a uma menor incidência de doenças coronarianas. Além disso, é considerado a fonte natural mais rica em betacaroteno (300 miligramas/100 gr de polpa), superando a cenoura em 20 vezes. O betacaroteno é um dos mais poderosos antioxidantes, conhecido por sua grande capacidade de renovação celular, funciona como um excelente esfoliante natural. Em formulações anti-aging (rejuvenecedouras) aumenta a elasticidade da pele. Devido a sua capacidade de absorver radiações na faixa de luz visível e ultra-violeta, o óleo de buriti se torna para indústria cosmética, um eficiente filtro solar que diminui o ressecamento da pele. Emulsões de óleo de buriti poderiam ser consideradas veículos potenciais para o transporte de precursores de antioxidantes e também ser usadas como adjuvantes na proteção solar, especialmente em formulações pós-sol.

USO POPULAR

O buriti é uma palmeira com uso múltiplo. As folhas novas e os pecíolos (“braços”) são utilizados freqüentemente no artesanato, na confecção de cestarias, a polpa é transformada em suco chamado “vinho” e doce, que constituem alimentos bastante apreciados na região Amazônica. O óleo do buriti, que é comestível, é usado em frituras, e aplicado contra queimaduras (do sol) na pele, provocando alívio imediato e auxiliando na cicatrização. Devido ao seu poderoso efeito desintoxicante e antialérgico os caboclos tratam picadas de cobra e escorpião com a aplicação do óleo na ferida bem como na ingestão de meia colher. No tratamento de processos asmáticos é ingerida uma colher diariamente, ocasionando a diminuição da tosse e alivio na respiração.
Atualmente a polpa de buriti é comercializada nas feiras dos interiores dos municípios para fabricação de “vinho” que substitui o açaí na época do inverno amazônico, de janeiro a junho, quando na entressafra do açaí. Existem empresas que comercializam a polpa in natura para extração de óleos, e outras devido a polpa ser muito perecível preferem a polpa seca, que é denominada de farinha de buriti.

ECOLOGIA

O buriti pertence a família das palmáceas, (Mauritia vinifera e M. flexuosa) predomina numa extensa área que estende-se praticamente por todo o Brasil central e o sul da planície amazônica. Espécie de porte elegante, seu caule pode alcançar até 35 m de altura. Folhas grandes, formam uma copa arredondada. Flores de coloração amarelada, surgem de dezembro a abril. Seus frutos em forma elipsóide, castanho-avermelhado, possuem uma superfície revestida por escamas brilhantes. A polpa amarela cobre uma semente oval dura com amêndoa comestível. Frutifica de dezembro a junho. O buriti vive isoladamente ou em comunidades, que exigem abundante suprimento de água no solo. Por esta razão, terrenos de várzea e brejos, de solo fofo e úmido, onde se destacam, é indício seguro de que por ali existe um curso d’água. A dispersão das sementes é feita pelas águas que carregam e espalham as sementes da palmeira buriti. A palmeira é uma espécie dióica, que origina plantas masculinas ou femininas. Apenas aquelas com flores femininas produzem.
Em um hectare de área pode se encontrar em média 60 buritizeiros femininos e 80 buritizeiros masculinos. Um buritizeiro adulto produz em média 200 kg de frutos, que podem ser transformados em 30 kg de farinha, da qual posteriormente podem ser extraídos de 5 a 6 litros de óleo (22% de óleo na farinha). Considerando uma média de 60 buritizeiros produzindo por hectare, pode-se estimar a obtenção de 300 a 360 litros de óleo. O ciclo produtivo se do buritizeiro ocorre a cada dois anos, porém existem comunidades produtoras que manejam seus buritizais, retiram cachos secos e pequenos, limpam os arredores de outros competidores naturais e desta forma tem um ano de pouca produtividade e outro de alta produtividade. Torna-se necessário a realização de estudos complementares sobre o solo e o clima para que seja confirmado se este manejo é o responsável pela diminuição do ciclo produtivo do buritizeiro.

REFERÊNCIAS

Albuquerque, M. et al: (2005): Characterization of Buriti (Mauritia flexuosa L.) oil by absorption and emission spectroscopies; J. Braz. Chem. Soc. vol.16 no.6a São Paulo Nov./Dec. 2005. .

Koolen, H. et al: (2013) : Antioxidant, antimicrobial activities and characterization of phenolic compounds from buriti (Mauritia flexuosa L. f.) by UPLC –ESI-MS/MS; Food Research International 51 (2013) 467 –473 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0963996913000665 .

MORAIS, L. R. : Banco de Dados Sobre Espécies Oleaginosas da Amazônia, não-publicado .

SHANLEY, P. et. al. : Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, 2005, CIFOR, IMAZON, Editora Supercores, Belém, p. 300 .

Soares Batista, J. et al.(2012): Atividade antibacteriana e cicatrizante do óleo de buriti Mauritia flexuosa L.; Ciência Rural, v.42, n.1, jan, 2012., Ciência Rural, Santa Maria, Online, ISSN 0103-8478 .

Zanatta, M. et al: 2010): Photoprotective potential of emulsions formulated with Buriti oil (Mauritia flexuosa) against UV irradiation on keratinocytes and fibroblasts cell lines; Food and Chemical Toxicology, Volume 48, Issue 1, January 2010, Pages 70-75 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691509004256 .

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