Cumarú (Dipteryx odorata)

CAS# 90028-06-1

Período de Safra

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E COMPOSIÇÃO GRAXA

O odor do cumaru (Dipteryx odorata) é peculiar e atribuído a um princípio ativo cristalizável conhecido como cumarina, que apresenta-se como um princípio de cheiro agradável (assemelhando-se à baunilha) e persistente, com sabor amargo.
Além de seu perfume, a cumarina também é fixadora de essências e é largamente utilizada com este propósito na perfumaria. Além disso, tem sido empregada na fabricação de sabonetes.
Este extrato tem sido utilizado para flavorizar o tabaco de cachimbos, como aromatizante de bebidas alcoólicas (uísque e vermute). Porém, a demanda decaiu em face às limitações de uso oral impostas pelas agências de controle de alimentos da Europa e EUA, por tratar-se de produto contendo cumarina, com propriedade anticoagulante.
A comercialização do óleo extraído das sementes como alimento ou suplemento alimentar é proibida.

USO POPULAR

O extrato aquoso da casca do cumaru é popularmente utilizado como antiespasmódico e geralmente tônico. Apresenta ainda propriedades que estimulam a transpiração e restabelecem o fluxo menstrual, quando em doses elevadas.
Na medicina popular o óleo já foi bastante utilizado para o tratamento de sinusites e pneumonia e na preparação do fumo; ainda é aplicado para cefaleia, reumatismo, ulcerações da boca, dor de ouvido, como tônico e fortificante do couro cabeludo.
Já o extrato possui efeito anestésico sobre o sistema nervoso. A cumarina é comercializada para distúrbios vasculares e linfáticos, mas, se usada indevidamente, pode retardar os movimentos respiratórios e circulatórios.

ECOLOGIA

O cumaru é uma árvore neotropical de grande porte, que chega a atingir 30m de altura, podendo alcançar a posição de dossel superior ou emergente. É encontrada em toda Região Amazônica, seu valor comercial se dá pela utilização da sua madeira e das suas sementes.
O fruto de cumaru é composto de 80% de casca lenhosa, e 20% de amêndoa, que contém até 43,60% de óleo cor amarelo claro, muito aromático. São necessários, em torno, de 12kg de sementes para obter-se 1L de óleo.
As sementes secas devem ser tratadas com álcool, cobertas e levadas para secar lentamente por alguns dias. Após esse período, são cobertas com cumarina cristalizada. Dessa forma as sementes podem ser armazenadas por até 1 ano.
Por serem sementes bastante caras, não há certamente conveniência em empregá-las na produção de óleo, que não teria outra aplicação senão no preparo de aromáticos. Com a descoberta, porém, da cumarina sintética, a procura e o preço deste produto declinaram bastante.
Conforme pesquisas realizados no INPA’s, Reserva Floretal Duke, a leguminosa cumaru mostrou crescimento rápido e pode ser plantada tanto no sol aberto como na meia sombra. É tida como uma excelente árvore para reflorestamento devido à rápida germinação e frutificação que ocorre em 4 anos. Se a cumarina e o seu óleo encontrarem novos mercados, o cumaru torna-se uma boa opção para plantios de reflorestamento ou sistemas agroflorestais.

REFERÊNCIAS

BESSA, D.T.O.; MENDONÇA, M.S.; ARAÚJO, M.G.P. Morfo-anatomia de sementes de Dipteryx odorata (Aubl.) Will. (Fabaceae) como contribuição ao estudo farmacognóstico de plantas da região amazônica. Acta Amazônica, v.31, n.3, p.357-364, 2001 .

LORENZI, H. (2002):Árvores Brasileiras Vol. 2, 2ª edição, Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, pp.368. .

PESCE, C. (1941): Oleaginosas da Amazônia, Oficinas Gráficas da Revista Veterinária, Belém/PA. .

SHANLEY, P. et. al. : Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, 2005, CIFOR, IMAZON, Editora Supercores, Belém, p. 300 .

ZOGHBI, M. et al (2000): Aroma de flores da Amazônia. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi,pp. 240. .

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