Manteiga de Tucumã (Astrocaryum vulgare)

ÉPOCA DE COLHEITA

DADOS FÍSICO-QUÍMICOS E APLICAÇÕES

A manteiga de tucumã em consistência e propriedade é muito parecido à manteiga do palmiste mas com ponto de fusão mais elevado e favorável.

Sabe-se hoje que as manteigas com ácidos láuricos produzidos de amêndoas de palmeiras tem um papel fundamental no funcionamento do sistema imunológico e na prevenção de varias doenças. Devido a sua composição graxa e de insaponificáveis, atípica em óleos láuricos com um índice interessante de ácido mirístico.

A manteiga de tucumã forma uma película protetora transparente sobre a pele, similar silicone sem obstruir os poros da pele. A troca lipídica da pele não é prejudicada e atua muito bem na pele seca e até mesmo sobre a oleosa.

Especialmente para cabelos secos, com pontas duplas, a manteiga do tucumã pode ser particularmente útil em penetrar nas cutículas dos cabelos para repor a perda de lipídios estruturais e repor a umidade, devolvendo a elasticidade natural dos cabelos deixando-os macios, fortes e sedosos. Altamente recomendada para formação de cachos e regeneração de cabelos étnicos.

USO POPULAR

O tucumã possui muitas utilidades, o caroço é utilizado no artesanato, as folhas fornecem uma fibra bastante resistente, que é usado nas cestarias, e a polpa do fruto é consumida em natura ou em forma de um suco denominado “vinho de tucumã”, que é macerada com água. Muito apreciado na região produtora como alimento, e ainda forma de tortas e sorvetes.. A polpa é altamente nutritiva contém um dos mais elevados concentrações de pro-vitamina A “beta caroteno”, valor só igualável à polpa do buriti. O óleo de tucumã é empregado na cozinha e em massagem.

ECOLOGIA

Esta espécie é nativa da região Amazônica, possivelmente do Estado do Pará, onde tem o seu centro de dispersão, até a Guiana Francesa e Suriname. É uma palmeira característica de terra firme alta, de cobertura vegetal baixa, ou mesmo de campo limpo (1). Na Amazônia se destacam duas variedades de tucumã, o tucumã-do-parã (Astocaryum vulgare) e o tucumã-do-amazonas (Astocaryum tucumã). A árvore do tucumã-do-pará é menor com 10 a 15 m de altura, regenera facilmente por perfilhar possuindo vários estipes, enquanto o tucumã-do-amazonas pode alcançar 25 m de altura e forma um tronco único. Seus frutos são maiores e a sua polpa é mais carnuda, menos fibrosa e menos adocicado do que o tucumã-do-pará.

 

A palmeira tucumã é considerada uma planta pioneira de crescimento agressivo, resistente ao fogo com capacidade de rebrotar após as queimadas e, principalmente, que habita as capoeiras e pastagens. As sementes demoram até 2 anos para germinar, crescem lentamente no campo e começam a produzir a partir do oitavo ano. É conhecida a existência de plantadores isolados de dendê (Elais guinensis) que já começam substituir o dendê por tucumã, mesmo sem um programa de melhoramento genético. A resistência do tucumã às doenças e a alta produtividade, fazem desta espécie uma solução para a produção de biodiesel, uma vez que os custos operacionais de um plantio ordenado é muito menor do que o do dendê.

O caroço do tucumã-do-para é recoberto externamente de uma polpa alaranjada, de consistência oleosa. Um fruto pesa em média 30 g, atribuindo 34% desse peso para a polpa externa, concentrando de 14 a 16% do óleo em relação ao fruto in natura. Uma árvore adulta pode produzir até 50 kg de frutos por ano, em média 25 Kg por arvore o que corresponde 2,5 kg de óleo da polpa e mais 1,5 Kg de óleo de amêndoa. Em um hectare podem ser plantadas 400 touceiras cada uma com três estipes em media, perfazendo um total de 1.200 arvores, o que daria 4,8 toneladas de matéria gordurosa por hectare, mais do que do dendê que produz somente 4 toneladas de óleo/hectare/ano (supondo uma produtividade de 20 toneladas e um rendimento de 22%). A vantagem do tucumã refere-se ao fato de ser uma espécie que forma touceira, não havendo, portanto, a necessidade de replantio como no caso do dendê.

REFERENCIAS

BORA, P. S. et. al.: Characterization of the oil and protein fractions of tucuma (Astrocaryum vulgare Mart) fruit. 2001, Ciencia y Technologia Alimentaria, Ourense, Espanha, v. 3, n. 2, p. 111-116. .

CALVACANTE, P. B.: Frutas Comestíveis da Amazônia, 1996, 6a Ed , Edições Cejup - Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém. PESCE, C.: Oleaginosas da Amazônia, 1941, Oficinas Gráficas da Revista Veterinária, Belém/PA .

FERREIRA, E. de S. et al (2008): CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DO FRUTO E DO ÓLEO EXTRAÍDO DE TUCUMÃ (ASTROCARYUM VULGARE MART); Alim. Nutr., Araraquara ISSN 0103-4235, v.19, n.4, p. 427-433, out./dez. 2008 .

SAGRILLO, M. R. et al (2015): Tucumã fruit extracts (Astrocaryum aculeatum Meyer) decrease cytotoxic effects of hydrogen peroxide on human lymphocytes; Food Chemistry 173 (2015) 741–748 .

SHANLEY, P. et. al. : Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, 2005, CIFOR, IMAZON, Editora Supercores, Belém, p. 300. .

Santos, M. F. G. et al (2013): Minor components in oils obtained from Amazonian palm fruits GRASAS Y ACEITES, 64 (5), 531-536, 2013 .

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